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sábado, 19 de março de 2011

Rotina

     Cinco e vinte da manhã, ouço a porta do meu quarto se abrir e uma voz suave a me chamar, abro os olhos bem devagar e percebo que minha mãe está ali me olhando, esperando eu me levantar, para terminar de arrumar o meu café.
     Então me levanto, ponho os pés no chão e sigo para o banheiro, me olho no espelho e percebo que meus olhos ainda estão meio fechados, lavo as mão, o rosto e vou para a cozinha, onde um copo de café com leite já me espera sobre a mesa. Pode parecer estranho, mas meu café da manhã é apenas isso, pois não consigo ingerir nada que seja mastigável pela manhã. Então bebo todo o leite e sigo para o meu quarto novamente.
     Antes de qualquer coisa ligo o som e quase sempre ouço Shakira ou Lady GaGa. Enquanto isso, troco de roupa, e vou escovar os dentes. Depois termino de me arrumar, e exatamente às seis horas, saio de casa e vou para a casa da minha avó, onde encontro minha tia e seguimos juntas até o ponto do ônibus.
     Assim que entramos no ônibus, eu começo a reparar tudo durante todo o trajeto, e fico refletindo sobre todas aquelas coisas que eu vejo. Pessoas caminham, carros buzinam, animais andam de vagar... Tudo isso causa um certo prazer em quem vê. 
     E quando menos penso, estou ali, fazendo parte daquele movimento logo de manhã, então começo a pensar em como tudo mudou drasticamente em tão pouco tempo, as pessoas ao redor já não são as mesmas, os sons que ouço estão cada dia mais diferentes, as imagens que observo também se modificaram, porém, toda essa mudança acabou virando rotina, assim como aquela que eu vivia há mais ou menos dois anos atrás.
     Durante mais de cinco anos, eu vivi na mesmice, e de repente eu já não estava no mesmo lugar, já não sentia as mesmas coisas, já não me expressava da mesma forma. No começo foi difícil, entretanto era exatamente aquilo que eu queria, já não aguentava mais aquela vida de três dias atrás. A vida seguiu, passou um ano, talvez o mais feliz da minha vida, eu estava exatamente onde eu queria e devia estar.
     Mas como tudo que é bom dura pouco, dois mil e dez acabou, e eu tive que me adaptar a outros hábitos novamente. Não foi tão difícil, porém a saudade existe, a falta que aquelas pessoas tão importantes fazem é realmente grande.
     Hoje, atravesso a cidade até a escola dentro de um ônibus, pensando em tudo o que já vivi, e então percebo que independentemente das circunstâncias tudo virará rotina, e também entendo que os grandes sentimentos permanecerão dentro de mim onde eu estiver, e é isso que me dá forças para seguir em frente.



2 comentários:

  1. Achei o seu texto incrível!!!
    Sabe que eu até me pus no seu lugar e vivi um pouco da sua rotina! Se modo de escrever é muito envolvente! Parabéns!
    Ah! E adorei seu novo design!

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